Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

riscos_e_rabiscos

.

.

Um Amigo Para Adoptar

 

Estava uma noite de chuva e fresca. O Bóbi precisava de ir à rua e ouvia-se um cão a ganir insistentemente. Nesta noite a minha mãe estava bastante doente e eu vim vê-la à, e quando aqui cheguei vi uns ciganos com um cãozinho.

Não liguei. Pensei que o cãozinho fosse deles.

 

Como o cãozinho não parava de ganir, o meu irmão foi ver o que se passava para tentar afastar o cãozinho daqui da porta para que o Bóbi não saísse porta fora mais desaustinado do que é usualmente.

Como o meu irmão nunca mais aparecia, eu fui ver o que se passava. Foi aí que vi o bichinho com atenção.

 

O meu coração ficou pequeno e apertado. Fiquei com um nó na garganta e vim para casa lavada em lágrimas. Era um cachorrinho e que havia sido maltratado.

 

Vim para casa aflita. Vim buscar leite e água porque ele nem dentinhos tinha para comer. Tinha tanta fome… Mas cada vez que bebia um golinho, gania. Devia sentir alguma dor. Por fim lá conseguiu beber meio litro de leite e aguinha.

 

O bichinho era tão pequeno e tinha tanto medo. Eu estava arrasada só de pensar que podia ser o meu Bóbi ou o meu Pimentinha. Um cachorrinho faminto, frágil e amedrontado.

Não podia deixar o bichinho na rua.

 

Disse ao meu irmão que iríamos levar o bichinho para a oficina, que não o podíamos deixar ficar na rua assim, com frio, medo e mal tratado. E assim foi. O bichinho ficou dentro de um carro velho, quente e aconchegado.

 

E tem sido assim de há umas semanas para cá. O bichinho é super dócil e meiguinho. Gosta de brincar e é muito beijoqueiro. É asseado e sabe que os cocós e o xixi são para serem feitos na rua.

Um bichinho tão amoroso e meiguinho, tão agradecido por gostarem dele e o tratarem bem, precisa de um dono.

Ele gosta muito de pessoas e gosta de brincar com crianças pois é muito sociável.

 

Eu não tenho condições de ficar com mais um bichinho. Já tenho o Bóbi e o Pimentinha e não tenho casa para ter um terceiro bichinho.

Se alguém quiser ficar com ele ou souber de alguém que queira adoptar o bichinho, deixe o seu contacto num comentário que não será publicado, uma vez que os meus comentários são moderados.

 

Vejam lá se o bichinho não é um amor…

 

          

 

Circunstâncias

 

Revi um colega meu. Nas piores circunstâncias, é certo, e onde não esperava. Estivemos os dois a dar aulas na mesma escola ainda no século passado. Ele a fazer estágio e eu a dar aulas de português e inglês.

Fazíamos parte de um grupo bem giro e animado, até um dueto de meninas parvas, começarem a fazer trafulhices e os interesses amorosos começarem a interferir. Nada que me envolvesse a mim ou a ele. Para mim só sobrou uma acta de 20 páginas, uma vez que era a única que tinha “ficado de fora” e, por isso, era imparcial.

 

Foi graças a ele que aprendi a dançar as “danças latinas” e era ele que nos incentivava a não desistir após o fracasso de alguns passos mais difíceis. Ele s o Z.P. e o J., os seus colegas de estágio.

Foram tempos óptimos e de muita cumplicidade e amizade entre todos. Foi uma no espectacular.

 

Hoje voltei a vê-lo em circunstâncias trágicas. Naquela notícia da escola da Moita, em que um aluno se sentiu mal e o INEM demorou meia hora ate chegar. Infelizmente, tarde demais…

 

Cherish the Love

                     

 

Para mim a amizade é algo muito importante. Já me viram dizer muitas vezes que, na minha opinião, precisamos todos muito uns dos outros.

 

A amizade tem que ser um sentimento altruísta. Dar tudo sem esperar nada em troca. Ajudar o outro como se de si mesmo se tratasse. É estar ao lado mesmo que a distância os separe. É dar a mão e fazer sentir que estamos ali para o que der e vier, ainda que não concordemos com atitudes e decisões. É limpar as lágrimas proferindo palavras de esperança. É afagar e aconchegar quando a vida se desmorona. É dar um passou quando o amigo não o consegue dar e precisa. É abdicar dos nossos problemas para ouvir e ajudar a encontrar soluções para os dos nossos amigos. É partilhar alegrias e tristezas.

 

O amigo é o irmão que nós escolhemos, é o irmão do coração. Muitas vezes gostava de poder fazer mais por eles, de, num estalar de dedos, solucionar situações difíceis. Mas isso é impossível. Resta-me estar sempre à disposição, largando tudo para acorrer a eles, quando sou solicitada.

 

Já o fiz muitas vezes. E aquilo que vejo, neste momento, é que a vida da maior parte dos meus amigos está numa fase de crise. Quase todos eles. Pese embora a sua aparente felicidade, ao que sei, isto é apenas uma “máscara” para ocultar a tristeza, para evitar perguntas, para não revelar fraquezas aos filhos, à família, no emprego. Quem não usou já uma “máscara” destas?

 

É dilacerante ver-se os nossos amigos no “fundo do poço”: a amiga que foi apanhada numa situação amorosa que revolucionou toda a sua vida negativamente e tendo um forte impacto na família; ver uma crise matrimonial de uma amiga que constituía o par que jamais conseguiria viver um sem o outro; acompanhar o fim de um casamento castrador e que, se calhar, não deveria ter acontecido; assistir a uma dualidade amorosa e a consequente obrigatoriedade de escolha; ao terrorismo psicológico a um ser inexperiente, perpetrado por um pseudo-qualquer-coisa.

 

Vocês, meus amigos, mais recentes ou mais antigos, podem sempre contar comigo. Estou aqui para vos ouvir atentamente e estudar, em conjunto, soluções para as agruras da vida. Nunca se esqueçam que eu vos ADORO!